Por dentro dos livros

Oásis da Alma: quando a poesia floresce no deserto da vida

Adecir das Chagas Gomes | Editora Trevo | 1ª edição, 2025 | 82 páginas


Há livros que chegam às mãos do leitor como uma brisa inesperada no meio de uma tarde quente. Oásis da Alma, de Adecir das Chagas Gomes, é exatamente isso: um refresco para a alma cansada, um convite à pausa e à contemplação num mundo que raramente para de correr.

O poeta alagoano — nascido em Pão de Açúcar, formado em Filosofia e Teologia, já presença consolidada em mais de cinquenta antologias nacionais e internacionais — entrega nesta obra sua voz mais madura e mais íntima. E ela chega com força.


A travessia que todos conhecemos

O livro está dividido em oito capítulos que formam, juntos, uma jornada quase iniciática: da dor social e existencial ao amor místico, da beleza como louvor até o grande retorno ao lar. Adecir não evita o peso da vida — ele o atravessa com os olhos abertos.

Já nas primeiras páginas, em Peles Negras, o poeta denuncia sem recuar:

“Peles negras importam, Branquitude abra a porta; Respire e devolva-lhes a cota, Não queiram ver essas peles mortas.”

É poesia com pulso. Firme, sem ornamentos supérfluos. O mesmo rigor aparece em Exclusão, onde vidas descartadas ganham dignidade nos versos, e em Vozes no Meio da Lama, onde o poeta escuta quem o mundo prefere ignorar.


O deserto como espaço sagrado

O grande mérito da obra está em transformar o deserto — símbolo da escassez, da dor, do silêncio forçado — em lugar de florescimento interior. Não é escapismo: é espiritualidade encarnada.

Em Mergulho Interior, um dos poemas mais tocantes do livro, Adecir desce às próprias profundezas sem medo:

“A casa que somente eu tenho a chave, Em seus compartimentos somente eu varro; Severamente reorganizando o meu ambiente, Encontro no meu interior o velho barro.”

Quem já enfrentou uma crise existencial vai reconhecer esse território. E vai também encontrar, nos versos seguintes, o calor que não esperava:

“No interior da minha alma, Acende-se uma chama em brasa; Aquecendo todo o corpo do frio, Protegendo-me das correntezas do rio.”


Amor que não cabe em definição

O capítulo O Místico Inefável Amor é, talvez, o coração pulsante de todo o livro. No extenso poema Amor Místico, Adecir elabora uma meditação poética sobre o amor divino através de perguntas que se repetem e se aprofundam como ondas:

“Que amor é esse? Belo enquanto o Oásis; Leve como a pluma, E voa igual a águia, No corpo da sabedoria.”

É linguagem contemplativa que remete à grande tradição da poesia mística brasileira — mas com imagens próprias, nascidas do sertão e da fé popular que formaram o poeta.


O viandante que todos somos

O ponto culminante do livro é o longo poema O Viandante, que ocupa inteiro o capítulo final. Em sessenta estrofes numeradas, Adecir narra a jornada de um filho que parte, se perde, e retorna — numa releitura poética e nordestina da parábola do filho pródigo.

A linguagem aqui é mais simples, quase narrativa, e isso é uma escolha acertada: o poema precisa respirar como uma história. O leitor acompanha cada tropeço do viandante, cada memória da casa paterna, até o momento da volta — que chega com toda a força emocional que merece:

“Vi o pai esperando na porteira, Tão encantado com a minha volta; Num soluço alegre de festa, Espalhando lágrimas na soleira.”

É impossível não se mover com esses versos. Adecir escreve do lugar de quem já sentiu esse abraço — ou de quem ainda o espera.


Para quem é este livro?

Oásis da Alma é para quem atravessa desertos e precisa de água. Para quem busca beleza sem fugir da realidade. Para quem encontra em Deus não uma resposta fácil, mas uma presença que sustenta no meio da luta.

É também — e especialmente — um livro para ser lido em voz alta. A musicalidade dos versos de Adecir das Chagas Gomes pede isso: que a poesia ressoe além da página e alcance o que as palavras escritas, sozinhas, às vezes não conseguem tocar.


Adquira Oásis da Alma pela Editora Trevo e leve para casa uma obra que vai permanecer com você.

📚 Disponível em: editoratrevo.com.br

ISBN: 978-65-5851-118-2


Editora Trevo | São Paulo, SP

Análises e resenhas

O Caso Couto de H Tavares (por V’s Reads)

O Caso Couto de H Tavares ✨

V’sReads | Vera Santos

 

Este é um conto de suspense psicológico que nos agarra desde as primeiras páginas e nos faz querer ler sem parar até ao fim! 😌

Durante anos, o casal Couto manteve a aparência de um casamento sólido e equilibrado. No entanto, tudo muda quando a esposa desconfia que o seu marido a anda a trair com uma costureira….😬😬

A partir daí, sentimentos como humilhação, fúria e sede de vingança passam a dominá-la, levando-a a pensamentos e sentimentos tão densos que fazem com que pense numa possível vingança. Tenta colocar o seu plano em prática, apoiando-se em duas figuras próximas: Lourdes, a empregada em quem confia cegamente, e Hermínio, médico da família e confidente de longa data. 💭

Veja o livro Impresso e e-book amazon

À medida que a história avança, o clima torna-se cada vez mais denso e inquietante, a história demonstra muitas nuances que nos fazem duvidar de tudo e de todos, deixando quem lê numa constante sensação de alerta. 👀👀

O autor conduz-nos por um jogo psicológico que mexe com a nossa percepção dos acontecimentos, com uma escrita direta e ritmo rápido que nem conseguimos respirar, juro!!! 😆

No final… confesso que não estava à espera! 😱 O autor gosta claramente de brincar com a nossa cabeça 🤯🤯 (já lhe disse isto🤭🤭).

Gostei muito do plot, é aquele plot que nos deixa intrigados, a pensar, a questionar tudo o que lemos até ali. 💥

Vou querer ler, de certeza, mais obras deste autor. Obrigada @htavares95 pela oportunidade de ler uma das tuas obras e pela cedência deste exemplar! 📚🥰

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Análises e resenhas

O que estão dizendo sobre “O Caso Couto”?

Nada valida mais o trabalho de um autor do que as marcas que suas palavras deixam na mente dos leitores. Desde o lançamento de O Caso Couto, de Hugo Tavares, temos acompanhado uma onda de reações impressionantes que destacam a atmosfera sufocante e o ritmo frenético dessa narrativa de apenas 88 páginas. Entre elogios à construção psicológica dos personagens e ao clima de suspense que beira o alucinógeno, fica claro que a história da Sra. Couto não é apenas um mistério comum, mas um mergulho profundo nos limites da sanidade e da manipulação humana.

Para quem busca uma leitura rápida, mas que permanece no pensamento muito tempo depois da última página, o consenso entre os nossos leitores é unânime: Tavares entrega um plot surpreendente e uma escrita cheia de personalidade. Seja pela tensão constante ou pelas reviravoltas que desafiam nossas percepções, o livro tem conquistado quem não abre mão de um bom suspense nacional.

Confira abaixo alguns dos comentários e impressões de quem já se atreveu a desvendar os segredos da família Couto!

Para conhecer o livro, visite a nossa loja, nas versões impresso e e-book: https://editoratrevo.com.br/produto/o-caso-couto-h-tavares/

Instagram do autor: https://www.instagram.com/htavares95/

Livro impresso em Pólen Bold
88 páginas
14 x 21 cm
ISBN 9786558510987
Produção Editorial: Wellington Souza @wellsouza.art
Revisão: Prof. Dr. Roberto da Silva
Projeto gráfico: Editora Trevo

Comentários na amazon/kindle:

Beatriz Alves
4,0 de 5 estrelas Tavares nunca erra…

O Caso Couto é envolvente, cheio de mistério e reviravolta! Tavares como sempre constrói bem os personagens e mantém a tensão até o fim!

Vale muito a pena dar uma chance!

 

@estantedathaty
5,0 de 5 estrelas Leitura envolvente

“Ele já partiu há muito tempo, pensou a Sra. Couto. Ela encheu duas taças de vinho tinto e retornou para o jantar.
Dava-se início à despedida.”

Leitura rápida e instigante, que prende a atenção do início ao fim. A cada página, cresce a curiosidade para descobrir o desenrolar da história. Os personagens são muito bem descritos, o que torna a narrativa ainda mais envolvente.
O plot final, aberto a várias interpretações, faz a leitura permanecer na mente mesmo depois de terminada.
O autor nacional me surpreendeu muito com sua escrita cativante e cheia de personalidade.

 

@MoonGrazye
5,0 de 5 estrelas 5 ⭐

Se você espera um livro de suspense como os demais, não leia esse livro! Ele é totalmente diferente do que a gente espera, e nunca em toda a minha vida eu ia achar que o suposto “plot” era aquele. Na minha cabeça eu gostaria de alguém para culpar, seja o doutor, seja a empregada. Eu precisava achar que a protagonista era inocente apesar de suas decisões. Mas a narrativa me enganou em muitos momentos, até porque acompanhamos meio que a “visão” da Sra. Couto. Então, se na narrativa fala uma coisa, a gente acredita nessa “coisa”. E sinceramente? Isso foi chocante KKKKK (rindo de nervoso).
Eu gosto de coisas diferentes nesse estilo, então pra mim, apesar de ser curto, valeu as 5 estrelas. Eu recomendo, principalmente por ser uma narrativa curta. Então, assim, é legal vocês terem em mente que não vai ter algo extremamente elaborado até porque são poucas páginas, mas apesar de simples e previsível, ele é interessante.

 

 

Maysa Santiago @bilizarioteca
4,0 de 5 estrelas Leiam

O livro O Caso Couto, de Hugo Tavares, acompanha o casal Couto, juntos há mais de trinta anos, que enfrenta uma fase conturbada no matrimônio. Diante das dificuldades, a Sra. Couto toma decisões drásticas com o apoio do médico da família, Hermínio, e da empregada Lourdes, conduzindo uma narrativa intensa e frenética em apenas 54 páginas. O livro explora temas que gosto muito: manipulação, medo, ódio e como traumas podem transformar a mente humana, borrando os limites entre realidade e alucinação.

Lourdes é uma personagem especialmente intrigante, conduzindo o leitor até um desfecho digno da obra. Confesso que desconfiei de algumas partes, mas a leitura não perde o impacto. O único ponto é que os parágrafos extensos podem deixar a leitura um pouco cansativa, mesmo sendo curta, mas isso não é suficiente para desaconselhar o livro. É uma obra curta, intensa e que provoca reflexão sobre até onde conseguimos manter a sanidade quando tudo ao redor parece desmoronar.

 

 

Análises e resenhas

Entrevista com a escritora Nathália Coelho

Por Fernando Fidelix Nunes (2026)

Fonte: portal letras mais

Fernando Fidelix Nunes é escritor, membro do coletivo Literatos Capital e doutor em Linguística pela UnB. Atua como professor de Linguística na Universidade do Distrito Federal (UnDF) e de Língua Portuguesa na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal. Desenvolve pesquisas sobre os multiletramentos, o discurso político, o ensino de língua portuguesa e a literatura do Distrito Federal.

Nathália Coelho é escritora, jornalista, pesquisadora e professora universitária. Seus textos poéticos apresentam reflexões sobre a vida na contemporaneidade por meio de questionamentos e discussão de temas existenciais. Nesta entrevista, conversamos mais detalhadamente sobre o seu livro de poemas “Avenidas de Dentro” (2022) e os desafios relacionadas à difusão da literatura do Distrito Federal.

livros da Nathália que publicamos

Fernando Fidelix Nunes: O seu livro “Avenidas de Dentro” (2022) foi publicado logo após a pandemia do coronavírus. Como os múltiplos impactos sociais, políticos e econômicos desse período influenciaram a sua produção poética?

Nathália Coelho: Em 2019, eu tinha publicado o livro “A rua esquerda”, também de poemas, e estava decidida a produzir um romance. Não planejei me dedicar a um segundo livro de poemas. Contudo, com a pandemia, uma forma de lidar, exatamente com todos esses conflitos que listou – sociais, políticos, econômicos –, foi escrevendo poemas. Na verdade, eu comecei sem necessariamente pensar em fazer um livro. No final de 2020, percebi que eu tinha um caderno deles, e eles se relacionavam pelo tema em comum: a pandemia e tudo que ela me suscitou enquanto sujeito que estava vivendo naquele ano. Então, sim, os impactos todos influenciaram demais a minha obra. Talvez posso dizer que eles são a raiz de tudo. Um dos primeiros poemas, “neblina”, veio da observação da janela do apartamento que morava e, ao mesmo tempo, do vislumbre do que seria de nós diante do cenário catastrófico que se apresentava. Muita coisa de “Avenidas de Dentro” também reverbera de uma observância das minhas emoções, dos meus privilégios naquele momento, das relações que estabeleci com minha mãe e meu irmão no confinamento. E como esses sentimentos também se relacionavam com o que estávamos vendo acontecer, com a gestão desastrosa do ex-governo, por pura demonstração de poder ególatra. Foi um período muito visceral pra mim. Senti demais, demais.

Fernando Fidelix Nunes: Além de escritora, você é uma pesquisadora que investiga a cultura digital. Em poemas como “Silêncio”, me pareceu possível fazer uma conexão entre a sua atuação como pesquisadora e a sua obra poética, pois você problematiza aspectos da subjetividade contemporânea em relação a novas práticas emergentes dos usos das TDICs. Dessa forma, em certa medida, o seu projeto estético se alinha também com seus projetos de pesquisa?

Nathália Coelho: Essa pergunta é muito boa. Porque eu me dei conta dessas influências só depois de 2 anos de publicação do livro, quando elaborava meu projeto de pós-doutorado. Olhei pro livro, preparando uma fala para a Semana de Letras na UDF, se não me engano, e pensei: “caramba, essa minha identidade já estava dando sinais aqui e eu nem sabia”. Mas as coisas são assim mesmo, ocorrem em movimentos circulares cada vez mais apertados e você vai se entendendo, mais profundamente, por meio de repetições. À época da escritura de “Avenidas de Dentro”, eu estava escrevendo a minha tese de doutorado. Meu tema de pesquisa ainda era a obra da Eliane Brum, com foco para o romance “Uma/Duas” e como ele se relacionava com a obra híbrida dela. Nesse mesmo período, também entrei como professora substituta no Departamento de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. E lá, me envolvi num grupo de pesquisa que trabalhava com Alfabetização Midiática. De um lado, por parte da minha tese, eu já trabalhava com a instância da palavra, e como ela poderia se deslocar do corpo, e ser um elemento de manipulação e desordem (como a pós-verdade, o ecossistema desinformativo, as “fake news”. Eliane Brum trabalhava com o conceito de “autoverdade”). De outro, na FAC, comecei a lidar com o mesmo tema, pela perspectiva dos estudos teóricos do jornalismo. E… enquanto escritora, o uso exacerbado das tecnologias digitais, me suscitaram escrever sobre elas em forma de poemas, porque eu vivi aquilo na pele. Toda a confusão mental de “uma, duas, três lives”, como eu falo em um dos textos, a necessidade de fazer VT (Sigla de videotape, comum nos bastidores profissionais do telejornalismo, de onde vim, também), no sentido de que todo mundo queria aparecer… me pareceu contrastar muito com a quietude e silenciamento que a pandemia pedia de mim enquanto ser humano, uma espécie ameaçada e que é ela mesma a ameaça da Terra. Portanto, Fernando, hoje eu entendo que eu não tinha consciência desse movimento entre as minhas identidades de poeta e pesquisadora, mas isso me diz muito da unicidade que existe em mim e acaba se expressando por diversas vias. Acho que foi um desdobramento natural de tudo que vivi, observei, estudei, percebi que poderia contribuir com reflexões, tanto em forma poética quanto acadêmica e profissional. Gosto muito de pensar nisso e obrigada por me fazer pensar. Então, sim, meu projeto estético pode se alinhar com meu projeto acadêmico, uma vez que eles têm a mesma origem, que é a minha inquietação enquanto ser humano. Eu tenho um vídeo no meu Instagram em que falo sobre isso (https://www.instagram.com/reels/DAsAHjPMvvX/). Além de tudo que eu disse, eu queria destacar também que essas influências vão ocorrendo dentro da gente se nos darmos conta. À Época do doutorado, eu também li um livro chamado “A Crítica Literária e os Críticos Criadores no Brasil”, de José Luis Jobim, porque a própria Eliane Brum se enquadra nesta categoria. Também trabalhei em sala de aula na disciplina de Jornalismo Cultural. Então sim, esse intercâmbio de ideias, também acontece em mim.

Fernando Fidelix Nunes: Durante a sua obra, há alguns poemas que não estão no índice geral do livro. Ademais, esses textos possuem um design e uma tipografia diferentes do restante da obra e que lembram o design de algumas postagens provocadoras de reflexões em redes sociais, especialmente no Instagram. Por que você não os inseriu no índice com um título? Como se deu o processo de encaixar esses textos no decorrer da obra?

Nathália Coelho: Os textos que estão entre os poemas são como pílulas poéticas. À época, não necessariamente as intitulei enquanto um poema completo. A ideia surgiu como que para seguir a mesma forma de expressão do meu primeiro livro de poemas, “A rua esquerda”. Nele, a cada dois poemas, se não me engano, eu coloco uma meteorologia poética. Como um respiro entre a densidade dos textos maiores. Em “Avenidas de Dentro”, foi assim também. Aquelas pílulas poéticas são respiros ao leitor, seguem uma mesma proposta das meteorologias e o design e a tipografia são diferentes propositadamente, porque ali, além da palavra, a forma fala também, enquanto peso, leveza, fugacidade, perenidade. Então, de fato, eles não foram feitos para constarem no sumário. É quase que um recado meu ao leitor, uma confidência, talvez um formato adaptado dos poucos caracteres das redes sociais para o livro. Não tinha pensado nisso, mas acho sua interpretação super plausível. Até porque, por exemplo, muitos deles nascem nesse ambiente online. Assim como as meteorologias poéticas de “A rua esquerda”, que eram publicadas primeiramente no Twitter (X), ou no Facebook, no percurso para o trabalho. E depois foram para o livro.

Fernando Fidelix Nunes: A literatura do Distrito Federal tem se consolidado gradualmente nas últimas décadas com uma ampla produção em poesia e prosa em diversos gêneros. Entretanto, os autores, em sua maioria, têm tido dificuldades em alcançar um grande público, o que se reflete nas pequenas tiragens das obras. Como você acha que é possível tornar a literatura produzida no âmbito da RIDE/DF mais popular com o público local e até nacional?

Nathália Coelho: Essa pergunta é um pouco difícil de responder. Mas acho que, talvez, eu possa dizer o que eu tentei fazer para ter mais penetração, mas não consegui ainda.

1. Formei em Jornalismo;
2. Criei um blog, publicava nas redes sociais;
3. Comecei a participar de concursos literários;
4. Publiquei em antologias;
5. Participei de coletivos de poetas;
6. Participei de saraus e outros eventos;
7. Os livros que foram sendo lançados, fiz assessoria pra eles, tentei emplacar na imprensa;
8. Participei de eventos em escolas da Educação Básica;
9. Fui lida em grupos de leitura;
10. Continuei o trabalho de divulgação dos meus livros nas redes sociais;
11. Poema meu do livro A rua esquerda foi adaptado para teatro, virou lembrança para dia das mães de uma empresa; esteve em provas e foi discutido com estudantes.
12. Talvez tenha me aproximado da academia, na área dos estudos literários, um pouco imbuída pela vontade de me legitimar enquanto escritora.

Mas eu não monetizei minhas redes sociais, não pude fazer maior tiragem, também não escrevi para jornais do eixo Rio-Sao Paulo, tampouco consegui grandes entrevistas, nem me mudei pra lá, nao tentei com mais veemência participar de realities ou ser uma profissional de grandes veículos de comunicação em entretenimento, como a Globo.

Por muito tempo pensei que tudo isso era falta de genialidade minha. E que se alguns conseguiam, eu poderia conseguir também. Mas a vida simplesmente não me levantou a esse lugar. Tudo que fiz foram pequenas, minúsculas plantações que, aos poucos, vão dando um fruto aqui outro acolá.

Acho que a gente precisa ter muito discernimento para entender que o mundo hoje é diferente e marcado profundamente pela polissemia comunicacional, o que impede de – por exemplo – um autor se destacar fortemente porque publicou num jornal impresso.

Também vale lembrar das dificuldades internas que sofremos, em função dos nossos marcadores sociais, de gênero, raça, classe social.

Em suma, falei de mim para falar sobre a Literatura do DF. Acho muitas são as tentativas individuais e em coletivo, como os eventos fomentados pelos cafés, as tentativas governamentais de colocar Brasília na rota cultural brasileira de turnês, os editais de fomento que saem, a própria UnDF com a produção científica sobre os autores daqui, em produzir material, povoar a internet, demonstrar relevância ao que temos aqui. As parcerias com outras artes, a visibilidade do DF projetada nacionalmente na TV (isso é recente, coisa da ultima década, sobretudo pela TV Globo, com produção de filmes, séries) para que entendam a nossa importância. A participação, cada vez mais massissa de autores brasilienses em prêmios literários grandes…

E talvez, aquele estalo que acontece alguma vez na vida, para alguns, de projeção, que alavanque toda uma rede que está ocorrendo já, e só estava esperando alguém que a olhasse e a escutasse.

Cora Coralina só foi conhecida na velhice. Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo… e tantas outras. Eu ainda tenho esperança, pra mim e para o DF.

Fernando Fidelix Nunes: Quais são os seus projetos artísticos futuros?

Nathália Coelho: Estou com uma expectativa de publicação de um terceiro livro de poemas, prosa poética, que vai falar sobre meu despertar racial e algumas experiências de vida como uma mulher negra parda. É um livro que está pronto desde 2023, já foi reformulado, mas ainda não teve a coragem profunda de vir ao mundo. É algo bem visceral. Mas no momento certo virá à tona. Quero publicar minha tese de doutorado e retomar um romance que comecei em 2018 e não dei continuidade por conta das muitas outras coisas que preciso me dedicar para ganhar a vida. Também tenho um projeto de lançar um livro de contos da redação, com as minhas memórias da minha década na imprensa brasiliense.

Por dentro dos livros

Poesia Agora vol. 21: Apresentação dos poemas vencedores

É com muita satisfação que neste artigo apresentamos os dois poemas primeiros colocados no volume 21 e mostramos um pouco mais do projeto gráfico. Os livros impressos chegaram na editora e mostramos fotos e vídeos logo abaixo. Além de todas as atualizações e detalhes aqui no blog, também estará mais postagens e avisos nas redes sociais da editora!

Envie um poema para o Concurso Literário Antologia Poesia Agora que está com inscrições abertas aqui.

Primeiros Colocados

 

 

Kit midia dos livros impressos

Divulgação das fotos do livro impresso.

 

Testes impressos

 

 

Caneca do projeto

Caneca personalizada com o seu nome autoral. Acesse o link, faça o pedido de forma rápida e fácil. Nós entraremos em contato após a compra para conferir o modelo da caneca e o nome que deve constar na peça. Para finalizar, enviaremos um prova em .jpg para confirmar e a entrega é feita de forma simples, diretamente do fornecedor para o seu endereço.

 

Revendemos também o modelo de livreiro que usamos para organizar os livros aqui na editora.

 

Peça o seu Livreiro Jan https://editoratrevo.com.br/produto/livreira-jan/

Abertura da edição

A poesia surge como um necessário contraponto ao cotidiano inerte e inundado de simulacros digitais. Em tempos em que os pensamentos negociam cada vez mais com dispositivos eletrônicos e cada vez menos com a língua, com a outra pessoa, com o coletivo global – é preciso ocupar esse espaço com o sentimento poético.

Entre os poemas selecionados para a presente antologia, “Passional da Língua”, de Victor Bartoncello, e “No Encalço”, de Aloisio Romanelli, se destacaram pela inventividade metalinguística, exploram as dinâmicas da linguagem em duas pontas: o primeiro a coloca em diminuto, vemos nascer um dialeto entre amantes; e o segundo a tem numa aura poética em vibração com os fatos da vida que “se esquivam da palavra”.

O poema do Victor tece a intimidade, palavra a palavra, certas ou desastradas, e a observa também através da língua e trejeitos. Será o amor, por que não, o menor dos dialetos? Um novo amor no mundo, o fim de um amor: inauguram e extinguem jeitos únicos, primatas, de se fazer entender ali, no instante. “Desaprende o português” para que uma “outra língua” possa nascer com coragem.

Em sintonia verbal, o outro classificado, “No Encalço”, desloca o foco do amor individual para uma forma de amar coletiva, materna – árvores se comunicam pelas raízes. “há um susto/ou um grito/reverberando/no esqueleto”. Na poesia de Alisio, a escrita nasce diante dos mistérios do cotidiano e da necessidade humana de dialogá-los, de alguma forma, conosco e com os outros. Transforma o ato criativo numa perseguição (o encalço), luta para externar a vida e a morte que se esquivam da linguagem – que neste contexto não é um deleite estético, mas a energia que ecoa entre as pietàs que habitam em cada um de nós.

Os dois laureados são reflexo da poesia contemporânea brasileira e uma amostra da qualidade literária desta antologia. Temos em comum recorrermos à poética como instrumento capaz de conectar os iguais, desarmar as constantes negociações com o mundo e sermos, por momentos, gotas misturadas ao oceano.

 

Mais páginas

 

 

 

Projeto gráfico

 

A ideia é que as lombadas dos próximos livros juntas formem um degradê de cores em suas tonalidades mais escuras. A paleta desta coleção foi selecionada para criar uma progressão visual inspirada na teoria das cores e no espectro cromático, garantindo simetria e harmonia. A sequência segue um percurso lógico, partindo de tons azulados profundos, passando por roxos e bordôs intensos, chegando aos vermelhos escuros e terrosos, antes de transitar para os verdes profundos e finalizar com tons neutros sofisticados. Esse gradiente cromático não apenas entrega uma identidade visual forte para a coleção, mas também reforça a continuidade entre os volumes, tornando-os visualmente impactantes quando alinhados na estante.

As ilustrações de The Moon: Considered as a Planet, a World, and a Satellite (1874), de James Nasmyth e James Carpenter, representam um marco na história do design gráfico ao unir precisão científica e uma abordagem visual inovadora para a época. Diferente dos métodos tradicionais de ilustração astronômica, que dependiam exclusivamente de esboços diretos feitos a partir de observações telescópicas, Nasmyth e Carpenter criaram modelos tridimensionais da superfície lunar, fotografaram-nos sob iluminação controlada e converteram essas imagens em gravuras. Esse processo resultou em representações detalhadas e expressivas da geografia lunar, antecipando técnicas modernas de infografia e modelagem visual. Essas ilustrações influenciaram tanto a comunicação científica quanto o design editorial ao transformar dados científicos em imagens acessíveis para reprodução em massa e visualmente impactantes.

A moldura clássica em capas de livros desempenha um papel fundamental na organização visual e na valorização do conteúdo, criando uma estrutura que direciona o olhar do leitor e confere sofisticação ao design. Em nosso projeto, fizemos uma releitura minimalista das ilustrações de livros de ciências naturais do século XVIII, destacando especialmente as expressões corporais. Esses registros históricos, além de documentarem a fauna, flora e anatomia com rigor científico, influenciaram profundamente o design gráfico moderno, estabelecendo padrões estéticos que ainda ressoam na composição editorial. Simplificando os traços e enfatizando posturas e gestos, buscamos reinterpretar a riqueza visual dessas obras, criando molduras que conectam a tradição ao olhar contemporâneo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por dentro dos livros

Poesia Agora vol. 22: Edição

 

A identidade visual de uma antologia deve refletir não apenas a diversidade dos textos que a compõem, mas também transmitir um conceito unificador que dialogue com o leitor. Para esse sequência de edições que começou na de n. 20, buscamos um equilíbrio entre tradição e modernidade, explorando referências visuais que evocam tanto o rigor clássico quanto a leveza contemporânea. A seguir, apresentamos os elementos que estruturam o projeto gráfico desta obra, destacando as escolhas que nortearam a criação das capas e da diagramação interna.

 

Envie um poema para o Concurso Literário Antologia Poesia Agora que está com inscrições abertas aqui.

 

O regulamento desta edição pode ser acesso no link (regulamento 22).

 

 

Prévia do design da edição 22

As imagens a seguir ilustram a aplicação desse conceito no projeto gráfico da antologia

 

 

 

 

exemplo de peça da edição anterior

 

 

 

 

 

cores

A ideia é que as lombadas dos próximos livros juntas formem um degradê de cores em suas tonalidades mais escuras. A paleta desta coleção foi selecionada para criar uma progressão visual inspirada na teoria das cores e no espectro cromático, garantindo simetria e harmonia. A sequência segue um percurso lógico, partindo de tons azulados profundos, passando por roxos e bordôs intensos, chegando aos vermelhos escuros e terrosos, antes de transitar para os verdes profundos e finalizar com tons neutros sofisticados. Esse gradiente cromático não apenas entrega uma identidade visual forte para a coleção, mas também reforça a continuidade entre os volumes, tornando-os visualmente impactantes quando alinhados na estante.

A lua

 

As ilustrações de The Moon: Considered as a Planet, a World, and a Satellite (1874), de James Nasmyth e James Carpenter, representam um marco na história do design gráfico ao unir precisão científica e uma abordagem visual inovadora para a época. Diferente dos métodos tradicionais de ilustração astronômica, que dependiam exclusivamente de esboços diretos feitos a partir de observações telescópicas, Nasmyth e Carpenter criaram modelos tridimensionais da superfície lunar, fotografaram-nos sob iluminação controlada e converteram essas imagens em gravuras. Esse processo resultou em representações detalhadas e expressivas da geografia lunar, antecipando técnicas modernas de infografia e modelagem visual. Essas ilustrações influenciaram tanto a comunicação científica quanto o design editorial ao transformar dados científicos em imagens acessíveis para reprodução em massa e visualmente impactantes.

Molduras

A moldura clássica em capas de livros desempenha um papel fundamental na organização visual e na valorização do conteúdo, criando uma estrutura que direciona o olhar do leitor e confere sofisticação ao design. Em nosso projeto, fizemos uma releitura minimalista das ilustrações de livros de ciências naturais do século XVIII, destacando especialmente as expressões corporais. Esses registros históricos, além de documentarem a fauna, flora e anatomia com rigor científico, influenciaram profundamente o design gráfico moderno, estabelecendo padrões estéticos que ainda ressoam na composição editorial. Simplificando os traços e enfatizando posturas e gestos, buscamos reinterpretar a riqueza visual dessas obras, criando molduras que conectam a tradição ao olhar contemporâneo.

Escrita Criativa

Aza de Azaleia e Dicas para Você Escrever as Suas Histórias

Para escritores que estão trabalhando em narrativas com temas semelhantes – superação, trauma, pobreza, injustiça social, busca por propósito – “Aza de azaleia” oferece lições valiosas para testar estilos e pensar fora da caixa, sendo uma obra pessoal e, por isso, universal.

Os temas centrais são a resiliência e a luta por um sonho em meio à adversidade extrema. É a história de como o desejo ardente por educação e uma vida melhor impulsiona a personagem a superar traumas, pobreza, abuso e falta de apoio familiar. É uma super-heroína comum que ouviu: “cresça, cresça” sussurrado pelo seu Anjo Interior, mesmo quando os obstáculos da vida real gritam para desistir.

Separamos 7 lições valiosas de Alcione Martins tiradas deste livro para você refletir ao escrever o seu também:

A Força na Vulnerabilidade: Aza não é uma heroína invulnerável. Sua força reside justamente em sua capacidade de continuar, apesar do medo, da dor e da vulnerabilidade.
Dica para escritores: Ao retratar personagens em situações difíceis, mostre suas fraquezas e medos. A resiliência é mais impactante quando vemos a luta interna para se levantar. Como o seu personagem encontra a força para murmurar “cresça, cresça” depois de ser pisoteado pelo Censor da vida? Explore essa tensão.

O Sonho como Propulsor (Anjo vs. Censor): O sonho de Aza de estudar e se tornar professora é o seu motor, seu “Anjo” que a impulsiona. Os obstáculos, a falta de dinheiro, o marido que desincentiva – esses são seus “Censores”.
Dica para escritores: Identifique o “Anjo” (o sonho, a paixão, o propósito) do seu personagem e o “Censor” (medos internos, obstáculos externos, vozes desanimadoras). Como esses dois elementos dialogam (ou brigam) na mente e nas ações do seu personagem? A jornada se torna mais interessante quando vemos essa batalha. Pense em metáforas visuais ou internas para representar essa luta.

Revelando o Trauma de Forma Significativa: O livro aborda experiências de abuso de forma direta, mas focando nas consequências e no impacto na vida de Aza (a desconfiança, os pesadelos, a depressão), e não na descrição explícita dos atos.
Dica para escritores: Ao lidar com temas sensíveis como trauma, considere o que precisa ser mostrado versus o que precisa ser sugerido. O foco no impacto psicológico e emocional, nas cicatrizes deixadas e na forma como o personagem lida com elas pode ser muito mais potente e respeitoso do que a representação gráfica do evento. Como o trauma ressoa no presente do seu personagem?

A Educação como Caminho para a Liberdade: Para Aza, estudar não é apenas adquirir conhecimento, é a rota de fuga de uma realidade opressora, a chave para a autonomia e a realização de um legado.
Dica para escritores: Explore a “fome” por conhecimento ou por uma habilidade específica no seu personagem. Como essa busca se torna uma ferramenta de empoderamento? Pense em momentos concretos onde o aprendizado abre uma porta ou oferece uma nova perspectiva.

Personagens Secundários como Espelhos e Catalisadores: Aza encontra tanto figuras que a prejudicam (irmão, cunhada, agressores) quanto aquelas que a ajudam (a amiga que a acolhe, a tia Luíza, o professor).
Dica para escritores: Cada personagem secundário deve ter uma função clara na jornada do protagonista. Eles podem ser espelhos que refletem aspectos do protagonista, catalisadores que impulsionam a ação, ou obstáculos que testam a sua força. Pense em como até mesmo as interações negativas moldam o caminho de superação.

Pequenas Vitórias Importam: A conclusão do primário com materiais improvisados, ser aceita na família do marido, concluir o Magistério vendendo Avon, passar no vestibular EaD – a jornada de Aza é pavimentada com pequenas grandes vitórias.
Dica para escritores: Em longas narrativas de superação, celebre e detalhe as pequenas conquistas do seu personagem. Elas mantêm a esperança viva para o leitor e mostram o progresso gradual, tornando a jornada mais crível e inspiradora.

Pensando Fora da Caixa na Estrutura ou Estilo: Embora “Asa de azaleia” siga uma estrutura narrativa mais tradicional, a força da história reside na honestidade e na cadência com que as experiências são contadas.
Dica para escritores: Inspirado pela intensidade da jornada de Aza, como você poderia subverter a forma? Poderia usar fragmentos, fluxo de consciência, diferentes pontos de vista (talvez dos “Censores” ou “Anjos” na vida da sua personagem?), ou incorporar outros elementos artísticos (poesia, letras de música, desenhos) para expressar as emoções e os desafios? Como a própria “escrita criativa” pode ser uma ferramenta de cura ou expressão para o seu personagem, assim como escrever “Aza de azaleia” foi para a autora (como sugerido na apresentação)?

“Aza de azaleia” nos lembra que mesmo da terra mais árida, uma flor resiliente pode brotar. Que esta história inspire nossos escritores a explorar as profundezas da experiência humana em suas próprias obras, com coragem, honestidade e a certeza de que a arte tem o poder de transformar e de dar voz às jornadas mais incríveis de superação.

Sobre a Autora:
Alcione Martins, maranhense, mãe de três filhas, é Graduada em Filosofia e Pedagogia, especialista em Supervisão, Gestão e Planejamento Educacional e em Educação Especial Inclusiva. Sua paixão pela Educação a Distância (EaD) reflete sua própria jornada de aprendizado contínuo. “Aza de azaleia” é um fruto de suas vivências e reflexões, compartilhado para inspirar e tocar corações.

 

veja o livro aqui =)
Escrita Criativa

A Importância da primeira revisão no trabalho editorial

Publicar livros são desafios com altas cargas de recompensas, assim com escalar montanhas, e há etapas que não podem ser ignoradas no caminho até o livro estar pronto para os seus leitores. Neste pequeno artigo vamos falar sobre a primeira revisão do original e como ela se encaixa na editoração de uma obra seja ela literária ou não.

Depois da escrever e colocar o ponto final, o ideial é que conte mais com um amigo-escritor para uma leitura sincera e um revisor profissional para finalizar o arquivo do seu original. Essas conversas sobre o texto e literatura fazem parte da formação do autor e com o tempo fará parte também de sua rotina, inclusive com a leitura e crítica de manuscritos de amigos também.

Para organizar, listei abaixo mais alguns pontos positivos de tratar “cara a cara” com um profissional, discutir alguns fundamentos e até mesmo encontrar errinhos que acabam passando no decorrer da escrita:

1. Profissionalismo e primeira impressão
O original é a base do trabalho que a editora terá com o autor, e textos bem estruturados, coesos e com poucos erros transmitem profissionalismo e cuidado desde o “nascimento”. Isso aumenta as chances de o livro ser bem recebido e deixa as próximas etapas da editoração encaminhadas para a preparação do texto e projeto gráfico.

2. Clareza de ideias e intenção autoral
Ao revisar com o revisor diretamente, o escritor tem a chance de perceber se suas ideias estão sendo comunicadas de forma clara e leve, sem a pressão institucional de uma editora nesse momento. O revisor experiente ajuda a identificar pontos confusos, lacunas de lógica ou partes mal desenvolvidas, sempre respeitando a voz do autor, e deve repassar aos autores de forma didática.

3. Correção de erros que passam despercebidos
Mesmo autores experientes cometem erros de digitação, gramática ou repetição. O olhar externo do revisor identifica esses deslizes, que o autor pode não perceber por já estar familiarizado com o texto.

4. Aprendizado e amadurecimento
Além das óbvias melhorias que um revisor pode oferecer ao texto, a troca de ideias com o revisor pode ser muito fecunda para a evolução da carreira do escritor, acumulando conhecimentos técnicos, tirando dúvidas pontuais. Dependendo da relação estabelecida, o revisor pode escrever um prefácio, texto de orelha, etc…

 

Neste fluxo, é importante delegar tarefas a outros profissionais se necessário. O copidesque, por exemplo, é o profissional que promove uma revisão estrutural da obra, melhorando o texto e até mesmo reescrevendo trechos. O editor tem a função de coordenar a equipe (capa, diagramação, revisão final, etc) e entregar o livro pronto e catalogado.

 

Veja aqui mais sobre como publicar com a Trevo.

 

Texto técnico escrito com apoio de Gemini.

Análises e resenhas

O peso da existência e a leveza do banal

 

Poemas de Roberto dos Santos abordam a consciência da finitude, a relação com o tempo e o amor, o que há entre quem escreve, quem lê e a própria poesia

Com poemas, em sua maioria, feitos num mesmo esforço e período, a obra Homo Liricus (Editora Trevo), de Roberto dos Santos, com capa de Carlos Décimo (artista plástico; capas de Tensões Mundias e ComCenso; disponível em Binária Arte – https://binaria.art.br/artista/carlos-decimo/), é atravessada por existencialismo lírico e, por vezes, melancólico (não confundir com depressivo). O livro apresenta poemas irreverentes, poemas no meio do caminho entre trova e haicai, sonetos modernos e outros de curta e média extensão, rimados ou não.
Segundo Batista de Melo, editor e ex-presidente da Câmara do Livro – DF, a obra

reúne um conjunto de poemas nos quais temos encontro com um cerne lógico, trabalhado na invocação de palavras e momentos, nos versos encontramos ferramental reconstrutor de nossas medidas. Desse modo, o Poeta nos convoca a encontrarmos fundantes abismais em nossa alma, criando desmesuras e desequilíbrios prazerosos.

Para André Cunha, escritor indicado ao prêmio Jabuti pelo livro Quem falou? (Penalux, 2023),

O livro é um apanhado de temas diversos e formatos textuais diferentes, com um tom que eu diria melancômico, mistura de melancólico com cômico. Tem poemas com pegada metalinguística, falando sobre o fazer poético e o ato de fazer poesia, misturados com o peso da existência e a banalidade da vida. Tudo o que se espera de um livro de poesia.

Além de temas universais como a consciência da finitude, a relação com o tempo e o amor, o que há entre quem escreve, quem lê e a própria poesia, o livro fala de morte, loucura, do ser criança, copos, travesseiros, ansiedade, o movimento moroso da rua visto da calçada e muitas outras coisas engraçadas e sérias, profundas e banais, mostrando que a poesia pode estar em qualquer lugar para onde se olhe com curiosidade. Também pululam na obra jogos verbais, trocadilhos e sacadas poéticas que lançam mão de palavras inventadas a partir dos radicais e afixos que conhecemos.

 

TRECHOS (QUARTA CAPA):

carregando
nas mãos flagelos, espelhos retorcidos e sementes mortas
e não tenho como sair do
sonho que todos os meus despertares teceram

do poema E o que é o mundo?

 

vejo minha sombra
sozinha a caminhar
ao longe
a ver
a fantasmagórica marcha das horas invisíveis

do poema Telúrico

 

Falta que se faz presente
escalas de dor em camadas
é triste e não se sabe
amarga, queima
adormece e não acalma

do poema Saudade

 

O véu do mundo vai se descortinando
Cada queda é um passo
para se pôr em pé
toda a promessa de uma vida

do poema Criança

 

AUTOR:
Roberto dos Santos, doutor em Sociologia pela UnB, professor do Instituto Federal de Brasília (IFB), autor de Nomear é Preencher o Vazio (poemas, Editora Trevo), cearense de nascença e brasiliense há 13 anos. Poeta, cronista, resenhador, contista, inclusive de contos infantis, prefaciador e avaliador em concursos nacionais de poesia, já teve poemas, contos e crônicas destacados em concursos e em coletâneas nacionais.

LINK DO LIVRO:
https://editoratrevo.com.br/produto/homo-liricus-roberto-dos-santos/

LANÇAMENTO:
10/04 (quinta-feira), a partir das 19 h, Baobar 411, 411 Norte, Bloco B, Asa Norte, noite de autógrafos e happy hour com forró. Bora?

SERVIÇO:

“Homo Liricus”, poemas; Pólen Bold. 148 páginas. 14 x 21 cm. R$ 40,00 (Editora Trevo, 2025) – Roberto dos Santos. @robertodasilva312
[+] info.: robertosdasilva@gmail.com

Escrita Criativa

Como Se Beneficiar do Certificado de Publicação Literária

Se você recebeu um certificado de publicação literária, saiba como fazer dele mais do que apenas um reconhecimento pelo seu talento. Aqui te mostraremos diversas formas de como usar esse documento para fortalecer sua trajetória acadêmica e profissional.

1. Verifique o regulamento da sua instituição

Antes de utilizar o certificado para atividades acadêmicas, é importante conferir as regras da sua universidade ou instituição de ensino. Algumas aceitam publicações literárias para atividades complementares, enquanto outras podem exigir um relatório explicativo ou documentação adicional.

Entre em contato com a secretaria acadêmica ou o coordenador do seu curso para saber se o certificado pode contar como horas complementares e qual o procedimento necessário para validá-lo.

2. Cadastre sua publicação no Currículo Lattes

Se você pretende seguir carreira acadêmica, é essencial manter seu Currículo Lattes atualizado. Para adicionar a publicação, siga estes passos:

  • Acesse sua conta na plataforma Lattes.
  • Vá até a seção Produção Bibliográfica.
  • Selecione a opção Textos em jornais e revistas.
  • Preencha as informações sobre a antologia, incluindo título, organizador e editora.
  • Salve as alterações.

Esse registro pode ser útil para candidaturas a programas de pesquisa, bolsas acadêmicas e seleções para pós-graduação.

3. Utilize para validar horas complementares

Se sua universidade exige carga horária de atividades complementares, apresente o certificado no setor responsável. Algumas instituições pedem um relatório explicando a relevância da publicação, então vale a pena preparar um texto descrevendo sua experiência no concurso e como isso contribuiu para sua formação.

4. Adicione ao seu portfólio

Se você deseja construir uma carreira na área de escrita, comunicação ou literatura, ter um portfólio atualizado é fundamental. Adicione a publicação da sua poesia, explicando brevemente sobre o concurso ou antologia em que foi publicada.

Se possível, inclua um link para compra do livro ou uma imagem da capa. Isso tornará seu portfólio mais visual e atrativo.

5. Use como diferencial em processos seletivos

Se estiver concorrendo a bolsas de estudo, programas de intercâmbio ou seleções de mestrado e doutorado, mencione sua publicação no currículo e na carta de motivação. Muitas instituições valorizam candidatos que demonstram envolvimento com produção cultural e escrita.

Se a seleção exigir uma redação ou um projeto, você pode destacar sua experiência literária para reforçar sua argumentação e mostrar que já tem prática na área.

6. Divulgue sua conquista

A publicação em uma antologia pode ser um grande passo para fortalecer sua presença no meio literário e acadêmico. Compartilhe essa conquista em redes sociais, no LinkedIn e até mesmo em um blog pessoal.

Para além da promoção tradicional, se você tiver interesse em expandir sua visibilidade e incentivar a escrita da poesia, use os livros da publicação para dar de brinde a seguiremos, fazer sorteios online e postar videos curtos declamando.

Conclusão

O certificado de publicação literária pode ser um grande aliado na sua jornada acadêmica e profissional. Desde o uso no currículo até a divulgação do seu trabalho, há muitas formas de aproveitar esse reconhecimento. Se você participou de um concurso literário e teve sua poesia publicada, não deixe essa conquista passar despercebida.

 

Veja o arquivo A Relevância do Acadêmica do Certificado de Puplicação Literária.

mural da trevo

Um Livro Surpresa de Poesia Contemporânea

Descubra Novos Versos!

Clique aqui e peça o seu Livro Surpresa de Poesia Contemporânea!

A poesia tem o poder de nos tocar de maneira inesperada. Ela pode ser um sussurro delicado ou um grito que ecoa na alma. Dos versos modernos de Alice Ruiz ao lirismo envolvente de Manoel de Barros, a poesia brasileira sempre nos convida a enxergar o mundo com novos olhos.

“A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.”
(Manoel de Barros)

Pensando nisso, a Editora Trevo preparou uma novidade especial para os amantes da literatura: o Livro Surpresa de Poesia Contemporânea!

Como funciona?

Estamos oferecendo um livro de poesia publicado pela nossa editora em 2025 a um preço promocional de apenas R$ 19,90. O título será uma surpresa! Isso significa que você pode receber uma obra de um autor estreante ou de um nome já reconhecido no meio literário.

Mais do que uma compra, essa é uma experiência literária. Ao folhear um livro sem expectativas prévias, você se abre ao novo, ao desconhecido, e pode se surpreender com versos que irão ecoar dentro de você.

Por que participar?

Aventure-se na poesia sem saber o que vem pela frente!

Preço promocional: de R$ 39,90 por apenas R$ 19,90
Descubra novos autores e estilos poéticos
Conheça a qualidade da Editora Trevo e nossas publicações
Inspire-se para publicar seu próprio livro

Se você ama poesia ou quer dar um presente especial para alguém que aprecia boas leituras, essa é uma oportunidade única. Quem sabe esse livro surpresa não desperta em você o desejo de escrever e publicar seu próprio livro?

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido.”
(Clarice Lispector)

Enviamos para todo o Brasil!

Garanta o seu agora e descubra a poesia de um jeito novo!

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Por dentro dos livros

Poesia Agora vol. 21: Projeto gráfico

A identidade visual de uma antologia deve refletir não apenas a diversidade dos textos que a compõem, mas também transmitir um conceito unificador que dialogue com o leitor. Para esta edição, buscamos um equilíbrio entre tradição e modernidade, explorando referências visuais que evocam tanto o rigor clássico quanto a leveza contemporânea. A seguir, apresentamos os elementos que estruturam o projeto gráfico desta obra, destacando as escolhas que nortearam a criação das capas e da diagramação interna.

Gostou dos contos? Compartilhe sua opinião nos comentários!

Envie um poema para o Concurso Literário Antologia Poesia Agora que está com inscrições abertas aqui.

cores

A ideia é que as lombadas dos próximos livros juntas formem um degradê de cores em suas tonalidades mais escuras. A paleta desta coleção foi selecionada para criar uma progressão visual inspirada na teoria das cores e no espectro cromático, garantindo simetria e harmonia. A sequência segue um percurso lógico, partindo de tons azulados profundos, passando por roxos e bordôs intensos, chegando aos vermelhos escuros e terrosos, antes de transitar para os verdes profundos e finalizar com tons neutros sofisticados. Esse gradiente cromático não apenas entrega uma identidade visual forte para a coleção, mas também reforça a continuidade entre os volumes, tornando-os visualmente impactantes quando alinhados na estante.

A lua

 

As ilustrações de The Moon: Considered as a Planet, a World, and a Satellite (1874), de James Nasmyth e James Carpenter, representam um marco na história do design gráfico ao unir precisão científica e uma abordagem visual inovadora para a época. Diferente dos métodos tradicionais de ilustração astronômica, que dependiam exclusivamente de esboços diretos feitos a partir de observações telescópicas, Nasmyth e Carpenter criaram modelos tridimensionais da superfície lunar, fotografaram-nos sob iluminação controlada e converteram essas imagens em gravuras. Esse processo resultou em representações detalhadas e expressivas da geografia lunar, antecipando técnicas modernas de infografia e modelagem visual. Essas ilustrações influenciaram tanto a comunicação científica quanto o design editorial ao transformar dados científicos em imagens acessíveis para reprodução em massa e visualmente impactantes.

Molduras

A moldura clássica em capas de livros desempenha um papel fundamental na organização visual e na valorização do conteúdo, criando uma estrutura que direciona o olhar do leitor e confere sofisticação ao design. Em nosso projeto, fizemos uma releitura minimalista das ilustrações de livros de ciências naturais do século XVIII, destacando especialmente as expressões corporais. Esses registros históricos, além de documentarem a fauna, flora e anatomia com rigor científico, influenciaram profundamente o design gráfico moderno, estabelecendo padrões estéticos que ainda ressoam na composição editorial. Simplificando os traços e enfatizando posturas e gestos, buscamos reinterpretar a riqueza visual dessas obras, criando molduras que conectam a tradição ao olhar contemporâneo.

Prévia do design

As imagens a seguir ilustram a aplicação desse conceito no projeto gráfico da antologia

 

Capa frontal

 

capa completa (arte surpresa para orelhas)

 

primeira página do livro (e restante da diagramação)

 

 

 

 

 

mural da trevo

Conto Brasil 9: Apresentação dos contos vencedores

A Antologia Conto Brasil – Volume 9 traz consigo um projeto gráfico que dialoga com a essência da escrita breve: a simplicidade cheia de significado. A capa minimalista, com folhas úmidas de orvalho e linhas que parecem guiar o olhar, reflete o cuidado estético e a busca pelos detalhes nas histórias contadas. Assim como um detalhe da natureza pode conter um mundo inteiro, cada narrativa aqui reunida prova que a concisão pode ser profundamente expressiva.

No sumário desta edição, encontram-se nomes e vozes que se despertam de diferentes cantos do país, compondo um coro literário que une diferente estilos, sentimentos e percepções do cotidiano. Os contos vencedores do concurso abrem a coletânea com força e sensibilidade. Em “Talvez Cortez aprenda inglês”, Lincoln Barros (Belo Horizonte, MG) nos conduz a momentos de ternura e hesitação, onde um minidicionário torna-se mais do que um objeto: é um símbolo sutil de sentimentos que crescem entre palavras não ditas. Já “Lembra?”, de Laiz Colosovski Lopes, mergulha no íntimo da paixão avassaladora, onde gestos e sensações ultrapassam a capacidade das palavras, tornando o amor uma experiência física e inominável.

A escrita dos microcontos e das pequenas narrativas diárias que se entrelaçam neste volume reflete a maneira como vivemos e percebemos o mundo. No cotidiano, muitas das nossas histórias cabem em um instante: um olhar que dura segundos, um toque fugaz, uma frase que nunca foi dita. São nessas breves passagens que os autores desta antologia encontram inspiração, transformando o imperceptível em literatura, o passageiro em algo eterno no papel.

Assim, convidamos você, leitor, a percorrer as próximas páginas desvendando como essas pequenas peças foram tecidas. Que estas histórias despertem memórias, provoquem reflexões e, acima de tudo, inspirem novas palavras, novas leituras e novas escritas.

março, 2025
Wellington Souza
editor

 

 

Video da Edição número 8, entregue em março de 2025.
Envie um conto para o Concurso Literário Antologia Conto Brasil que está com inscrições abertas aqui.

dados da obra

título: Antologia Conto Brasil vol. 9
ISBN:978-65-5851-113-7
formato: 16×23
páginas: 54
miolo papel pólen bolg 90g/m2
capa pepel Cartão Triplex 300g/m2
orelhas de 8cm

Distribuição: envio de brinde para quem comprar 2 livros ou mais no site da editora, doação para instituições e caridade.

capa do livro e promocionais

primeiras páginas

diagramação da antologia de contos
diagramação da antologia de contos – página 1

 

diagramação da antologia de contos
diagramação da antologia de contos – páginas 2 e 3

 

Sumário (parcial)

 

Análises e resenhas

Eu Já Estive Em “O Futurista – Reportagens que vão mudar o mundo”, de André Cunha

Postagem original no perfil @eujaestiveem

 

Entre 2030 e 2038, o jornalista Patrick Landall escreveu uma série de reportagens internacionais para O Futurista, um sobrevivente canal de comunicação que deve estar lutando bravamente para se manter em 2038, já que nos dias atuais (2021) essa luta é acirrada por aqui.

 

Assim que comecei a leitura eu me senti assistindo a série da HBO chamada Years and Years (se você não assistiu, trate de colocar na sua lista) e o próprio autor faz referencia a série em algum momento do livro, o que me fez pensar que eu não estava tão perdida assim. Ele mescla entre as histórias que se passam no futuro, nomes conhecidos na história mundial, como Bob Dylan, Michele Obama.

 

A questão dos drones programados para matarem pessoas me assustou um pouco porque é algo que pelo menos em series e agora, também nos livros, já sabemos que ocorre com frequência.

 

Os ataques hackers também me chamaram atenção e ter que chegar ao ponto de desligar a rede elétrica para conter o problema foi assustador par mim. Problema que já é bem maior a ponto de um ataque hackers desligar trens, derrubar aviões, explodir usinas nucleares, mudar a trajetória de drones e até de mísseis teleguiados.

link para compra do livro

Também tem o bispo japonês que busca os holofotes para o cristianismo. Ele chega a ser eleito como personagem do ano pela Time, é faixa preta de taekwondo, medalhista olímpico, astro do rock, cantor lírico, doutor em teologia, fala cinco línguas, bonito e carismático, a ponto de a Nintendo lançar um jogo chamado Colisão dos Tronos, onde o Papa e o imperador do Japão duelam.

 

Pois é! Todas essas histórias podem ser conferidas em “O Futurista” de André Cunha, publicado pela Editora Trevo com essa capa maravilhosa que amei!

 

Obrigada André pelo carinho em compartilhar o livro com a gente!

 

Janaína Leme

veja mais resenhas: eujaestiveem.com

@eujaestiveem

Escritor André Cunha

Por dentro dos livros

Poesia Agora 20: Apresentação dos poemas vencedores

Na Antologia Poesia Agora – Volume XX, tratamos a poesia com o mesmo cuidado de um orquidófilo ao cultivar uma flor rara. A capa traz uma ilustração botânica antiga de uma orquídea, escolhida para representar a delicadeza e a força da palavra escrita. Assim como a planta precisa de atenção para florescer, um livro exige uma edição cuidadosa, onde cada detalhe – da escolha dos poemas à composição visual – valoriza a experiência de leitura. Esse é o trabalho que somente uma editora pode oferecer.

Abaixo apresentamos as imagens tiradas diretamente do programa de editoração que usamos no dia a dia e, além do sumário com os nomes dos participantes, temos os 2 poemas premiados nesta presente edição.

Se você deseja registrar a sua poesia com esse mesmo nível de cuidado, a próxima seleção já está aberta!

Boa leitura!

 

 

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lista de participantes, poemas vencedores e projeto gráfico

Capa Antologia Poesia Agora vol. 20
primeira página do livro.

 

Segunda página do livro.
Poesia Agora Vol. 20 0 sumário

 

Poesia Agora Vol. 20 – sumário

 

Poema vencedor

 

Segunda Colocada.

 

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Escrita Criativa

Um flerte com o seu artista interior

 

Como Nutrir sua Criatividade e Escrever com Liberdade

Se você é escritor ou poeta, sabe que a inspiração nem sempre aparece quando queremos. Muitas vezes, o medo, a rotina e a autocrítica nos afastam da escrita. É por isso que O Caminho do Artista, de Julia Cameron, sugere um exercício essencial para desbloquear a criatividade: o Encontro com o Artista.

Se as Páginas Matinais nos ajudam a esvaziar a mente e organizar os pensamentos, o Encontro com o Artista tem outro papel: alimentar nossa criatividade. Mas o que isso significa na prática?

O que é esse flerte com o Artista?

É um compromisso semanal com sua criatividade para poder escrever, anotar, fotografar ou simplesmente vivenciar algo enriquecedor culturalmente. Um tempo dedicado a explorar novas ideias, se encantar com pequenas coisas e alimentar sua imaginação. Pode parecer simples, mas essa prática ajuda a recuperar a leveza da criação, afastando a pressão do “certo” e do “errado” na escrita.

O Encontro com o Artista precisa ser feito sozinho. Isso porque o objetivo é se reconectar consigo mesmo com liberdade para observar-refletir-anotar, sem influências externas. Ele pode ser:

… Uma visita a uma livraria ou biblioteca para folhear livros sem pressa

… Um passeio por um parque ou café, observando as pessoas e anotando detalhes

… Explorar uma papelaria e testar canetas, quem sabe você não goste de escrever poemas com 2 ou mais cores?

… Ver um filme de um cultura diferente, que desperte novas ideias e emoções

… Ouvir músicas no seu quarto e pensar em quais cenas elas seriam perfeitas (e escrever!)

Esses momentos de inspiração parecem simples, mas criam um repertório invisível que mais tarde se transforma em versos, personagens e narrativas.

Sugestões para Estimular sua Escrita

Após um encontro criativo, tente transformar a experiência em palavras. Aqui estão algumas ideias:

… Escreva um poema inspirado no que viu ou sentiu durante o passeio.

… Crie uma cena ficcional baseada em uma pessoa ouvida ao acaso.

… Faça uma lista de cheiros, sons e texturas que chamaram sua atenção.

… Imagine uma carta para si mesmo no futuro, contando como se sentiu nesse momento de conexão.

A criatividade precisa de espaço para florescer. Ao reservar esse tempo para si, você permite que novas ideias surjam naturalmente.

Aos poucos esses encontros evoluem para hábitos criativos e para algo maior, uma Consciência Criativa. Em paralelo com o trabalho e as obrigações diárias, a própria rotina te inspirará – a sombra da árvore na janela às 10:53 da manhã e os carros que formam fila esperando uma idosa atravessar.

Então, qual será o seu próximo Encontro com o Artista?

Participe dos Prêmios Literários Conto Brasil e Poesia Agora. Publicaremos os primeiros colocados em antologias.

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Por dentro dos livros

Poesia Agora 19: Apresentação dos poemas vencedores

A poesia brasileira contemporânea pulsa em uma multiplicidade de vozes, estilos e experimentações, mantendo-se viva e reinventando-se a cada novo verso. A antologia Poesia Agora, Volume 19 é testemunha dessa riqueza, reunindo autores que transitam entre a sensibilidade, a reflexão e a ousadia poética.

Neste volume, destacam-se os poemas vencedores, Ecos da Palavra, de Almada, e Molhado, de Gerson Norse, que sintetizam, em formas distintas, a potência da palavra e a vastidão da existência.

No poema de Almada, Ecos da Palavra, a linguagem é a protagonista, uma entidade que ressoa no silêncio, na matéria e no pensamento. A poeta constrói um jogo de reverberações, onde o verbo se faz não apenas comunicação, mas experiência sensorial. A palavra, ora carregada de sentido, ora de nonsense, manifesta-se como vibração, expandindo-se além da página e atingindo o leitor de maneira quase física. Há aqui um profundo respeito pelo poder da linguagem, um tributo à escrita como algo que preenche e, paradoxalmente, esvazia, criando novos significados.

Já Molhado, de Gerson Norse, traz um lirismo que navega entre a incerteza e o fluxo inconstante da vida. Com versos curtos e imagens fluidas, o poeta nos convida a atravessar oceanos internos, confrontando dúvidas e certezas, em um constante embate entre a sanidade e a loucura. A metáfora náutica se desdobra em um discurso existencial, onde remar, mesmo entre incertezas, é preferível à estagnação. A última linha, “Pior é ser mar morto”, ressoa como um convite à inquietação, ao movimento – ao próprio ato de viver e poetizar.

Ao reunir vozes como essas, Poesia Agora reafirma a força da poesia brasileira atual, que não se limita a formatos pré-definidos, mas se lança ao inesperado, ao sensível e ao infinito das palavras. Que este volume seja um convite à imersão poética, um espaço onde cada leitor possa encontrar seus próprios ecos e suas próprias travessias.

 

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lista de participantes, poemas vencedores e projeto gráfico

Capa da antologia Poesia Agora volume 19

 

 

 

Por dentro dos livros

Conto Brasil 8: Apresentação dos contos vencedores

Esta é a Antologia Conto Brasil e te convidamos a folhear o livro e a conhecer a multiplicidade da força narrativa brasileira. Viva a tensão emocional do conto vencedor, O que deixamos na cozinha, de Letícia Câmara e dos demais autores selecionados para a presente edição.

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Conto vencedor

 

o que deixamos na cozinha

Letícia Câmara (rio de janeiro, rj) @camara_lett

 

Uma noite de maio, depois do jantar, meu marido informou à muito custo que estava determinado em me deixar.

Me olhou com tanta dor e sofrimento, um olhar tão pesado de lágrimas e tão enrugado pelo tempo (apesar de tão pouco tempo haver passado) que meu coração se apertou. Ali finalmente compreendi o fraco que ele era. “Covarde” foi o que eu disse, não com palavras. Nos olhamos, e sem um ruído sequer, estava terminado.

Enquanto eu lavava os pratos suavemente, sentindo o fedor do sabão, ele arrumava as malas. O tique-taque dos ponteiros eram gotas caindo em um lago. A água mal se move, mal se percebe, e nunca se exalta. A água não sente. E água envolvia meus dedos enquanto eu lavava.

O relógio bateu duas horas, impaciente. A louça diminuía cada vez mais depressa. Eu senti quando ele parou atrás de mim na cozinha. Olhei para o relógio, que voltara a pipilar silencioso. O reflexo dele, turvamente refletido em uma panela desavisada que secava bem ao lado da pia, era generoso ao demonstrar seu sofrimento. Tudo estava distorcido sob a superfície do metal, desde o peito arfando como um passarinho, às lágrimas escorrendo como o sangue vazando de seu coração furado.

– Beatriz…

– Vai chover. O guarda-chuva está na cômoda – Informei sem me virar. Ele emitiu um guincho. O ar preso em sua garganta ia sair. Ele ia lutar, berrar, implorar. Dizer que me amava. Não existiria um som depois de suas súplicas. Senti o sangue pulsar em suas mãos não molhadas e livres de sabão. Ele ansiava pelo toque, queria o amor da esposa. Mas naquela cozinha não havia esposa nenhuma.

– Por que você insiste que eu te machuque, coração? – Falei sem um pingo de emoção. A respiração dele desregulada. O choro rachando o ar em incontáveis pedaços de soluços que ele tentava tão famintamente abafar. Ainda assim o peito murcho queria gritar, pedir, rastejar. Um passo vacilante na direção da pia, seguido por uma mão que começava a se esticar rumo ao tecido azul da camisa da figura lavando a última peça de louça.

– A cômoda – Ordenei, mais uma vez. E senti que a mão se encolhera, e depois se voltara à direção oposta; a da maçaneta. Virado para a porta que entreabrira, com um pé dentro e outro já fora e as malas estacionadas no tapete, ele deu um último olhar na direção da mulher que amava. E justo quando ia dizer alguma coisa, a última peça de louça terminou de ser enxuta. Ainda assim, eu não me virei, porque a mulher que ele amava não estava naquela cozinha.

A porta fechou. Minutos passaram. O relógio batia muito devagar agora. E só sobrávamos nós: o relógio, as panelas na cozinha, e eu. Que sem aviso, caí no chão.

Olhei para o ladrilho onde aterrissara, e percebi que estava molhado. Molhado? Ah, sim. Eu derramara água. Pelo menos ele não percebera. Pelo menos ele não estava aqui para vê-la derramada no chão. Pelo menos ele não estava, nem estaria naquela cozinha nunca mais.

Ainda sem me sentar, toquei meu rosto. O olhar fixo na porta se voltou aos dedos molhados. Sim. Era dali que vinha a maldita água.

 

 

Sumário desta edição

 

Segundo colocado:

21 Oximoro

Evaristo Soares

 

23 Tião das candongas

Sebastião Amâncio

24 Por amor

Daniel Pio de Oliveira

25 Meio-dia em Ponto!

Rosilene Leonardo da Silva

26 A Autenticidade em tempos de aparências

Matile Facó

27 O inventei

Rafaela Navas

28 A porta do banheiro

Roberto Filho

29 Abandono

Coracy Teixeira Bessa

30 Fora dos trilhos

Kryssia Ettel

31 O Sol e a Lua de Maisa

Ana L. Horvath

32 A escuridão

peter lehmann raffa

33 Ela se apaixonou pelo seu jeito

Maria Fernanda Henrique

34 Aquilo que falta

Acsa Maira

35 A faxineira e o patrão

Ronaldo Cupertino de Moraes

36 Obrigado por teu amor

J Souza

38 Redentor

Gabriel Xavier

39 Sentimentos

Jose Henrique de Andrade Silva

40 Filmes

André Anjos

41 O quadro

Bel Guimarães

42 A Assombração do Ônibus

Mestre Tinga das Gerais

43 Conto com encanto!!

José Claudio Oliveira Garcia

44 Multa

Lucas Oliveira

45 O desvalido da praça da piedade

Tasso Paes Franco

46 Velhice

João Lucas Alcantara Santos

47 As avencas

Dayse Cangussu Souza

49 Um homem sistemático

Rômulo Resende Reis

50 Pérola

Alexandre Bernardi

 

apresentação da antologia

 

A literatura brasileira contemporânea é um vasto oceano de narrativas intensas, inovadoras e repletas de nuances. Na Antologia Conto Brasil Volume 8, somos convidados a mergulhar em histórias que exploram a profundidade da psique humana, o jogo da linguagem e as entrelinhas do cotidiano. Neste volume, dois contos se destacam como grandes vencedores, revelando a força e a versatilidade da ficção nacional: O que deixamos na cozinha, de Letícia Câmara, e Oximoro, de Evaristo Soares.

No conto de Letícia, O que deixamos na cozinha, o leitor é imerso em um ambiente carregado de tensão emocional, onde gestos cotidianos escondem sentimentos latentes. A narrativa acompanha um término conjugal silencioso, onde cada olhar e cada respiração carregam um peso avassalador. A protagonista, que mantém sua compostura enquanto lava a louça, transforma a cozinha em um palco de despedida contida, mas devastadora. A repetição dos elementos – a água, o relógio, a pia – intensifica a atmosfera de resignação e dor abafada. No final, quando as lágrimas se confundem com a água derramada, a autora constrói um clímax sutil e poderoso, reforçando a dualidade entre o controle aparente e o sofrimento incontornável. Letícia Câmara domina a arte do subtexto, onde o que não é dito fala mais alto do que qualquer palavra.

Oximoro, de Evaristo Soares, conduz o leitor a um jogo metalinguístico brilhante, no qual a própria linguagem se torna personagem. O conto personifica a figura de linguagem “oximoro”, transformando-o em um personagem paradoxal, que desafia a lógica e se move entre opostos como “mentiras sinceras” e “sábia ignorância”. Evaristo brinca com as contradições do discurso, construindo um texto que transita entre humor e reflexão, filosofia e ironia. A narrativa, ao mesmo tempo que homenageia o poder da palavra, desafia o leitor a repensar as fronteiras do sentido e do absurdo. O conto é um exemplo notável de como a literatura pode ser, simultaneamente, um exercício de criatividade e uma experiência intelectual instigante.

Ao reunir contos como esses, Conto Brasil reafirma a vitalidade da prosa curta brasileira, que se expande por diferentes caminhos – do drama intimista ao experimentalismo linguístico – sem perder a força e a relevância. Esta antologia não apenas celebra o talento de novos escritores, mas também convida o leitor a se perder e se encontrar nas entrelinhas de histórias que continuam a ecoar muito depois de suas páginas serem viradas.

Wellington Souza

mural da trevo

Poesia Agora 18: Apresentação dos poemas vencedores

Convidamos você a explorar essa coletânea de versos que tocam a alma. Deixe-se envolver pelas palavras de Camila Fonseca e dos demais poetas que fazem parte desta seleção especial.

A poesia segue viva, e seu eco ressoa em cada leitor que se permite sentir.

 

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Envie um poema para o Concurso Literário Antologia Poesia Agora que está com inscrições abertas aqui.

poema vencedor

 

em silêncio

 

ensina-me o silêncio

a trabalhar com ele

a comer em sua companhia

a escutar em sua presença

e a falar através dele

ensina-me o silêncio

a partilhá-lo com os eus que escondo

a descobri-lo sempre necessário

a percebê-lo acalanto nas más horas

e a atravessá-lo no domingo

ensina-me o silêncio

a querer em silêncio, e não pedir

a viver em sua companhia, e ser suficiente

a sofrer em sua presença, e achar válido

e a amar através dele, e ser completa

ensina-me a querer ser em silêncio

tudo o que não pude querer ser

tudo o que não pude querer dar

tudo o que não pude querer esperar

tudo o que não pude querer suportar

em palavras

Camila Fonseca

@rcamilacalderano

 

poemas desta edição

 

19 em silêncio

Camila Fonseca

21 as saudades nos chorem

LUKA KALU

25 caneca, café, frio da vida

Ane Vasconcel

26 temporal

Bernadete Vogel

27 o amor tem dessas coisas

Gustavo Silva

28 Soberba

Ísis Victhória Vogel Kieper

29 sobre o memorial às vítimas do holocausto

José Lucas Ventura Castilho

30 chora comigo hoje?

Rafaela Campelo

31 feliz-mente

Ramon Grossi

32 utopicamente poético

Igor Pereira

33 baile das primaveras

Silvany Barros

34 entender você me custou caro

Thaylane Nunes Teles

35 amanhã de manhã

Roberto Chavez Doto

36 juventude Sabiá

Johnes Evangelista

37 sensações

Kevily Meili

38 ansiedade

Geysa Souza

39 ainda

Milena Carolina Ribeiro

41 emoções

Izabelle Ferreira Pinheiro

42 as delícias da dor

Hudson Romério

43 desordem interestelar

Ana Tábita

44 leviano

D’$ilva

45 dor

Elizabeth Senra Guessada

46 soneto da dúvida

Augustus

47 direção

Matheus E. Reis

 

apresentação da antologia

Matheus Vinicius

A primeira colocada da edição n.º 18da antologia Poesia Agora, Camila Fonseca, com seu poema “Em Silêncio”, nos trouxe o brilho da composição formulada em um jogo de luz e sombra, um trabalho de reflexos que remete à própria reflexão do poema. Explico. A maior parte das linhas do poema, com exceção das quatro penúltimas, seguem a marcação de “e” e “a” no ínicio, o que é um espelhamento do que se poderia pensar em uma montagem mais tradicional, onde as rimas dos versos apareceriam ao final. Isso é o que chamamos de anáforas, repetições de palavras ou partículas gramaticais que ajudam tanto na memorização, quanto na montagem de uma espécie de máquina semiótica que nos empurra ao silêncio. No texto da Poeta (com P maiusculo de premiada e promissora, haja vista que é a primeira antologia da qual ela participa) essas repetições, e outras, operam tanto uma marca rítmica, por se esperar que elas reapareçam no mesmo intervalo, quanto um vazio silencioso dado que a reaparição não marca nenhuma diferença semântica, o que conduz o leitor ao silêncio, o qual o próprio poema evoca.

Camila Fonseca marca a sua estreia pública como uma poeta aliada à tradição apolínea, que tomamos junto ao ponto de vista estudado por Nietzsche em seus seminários “A Visão Dionisíaca do Mundo”, posto que o trabalho da autora se dá na lapidação de uma experiência subjetiva, como se desenhasse um sonho com as palavras, uma experiência íntima, um monólogo que, por ter o silêncio como interlocutor, a não resposta deste último se trata da sua expressão mesma. De riqueza ímpar o seu trabalho termina no momento exato, como uma espécie de adieu au langage, o que não se pode pôr em palavras já não se exercita para além do necessário, se coadunando ao final o silêncio, o poema, a autora, o texto se converte em um sonho desperto na ponta dos nossos olhos.

Em segundo lugar, e não menos importante para a nossa presente antologia, o poema de Cléber Leandro Nardeli “As Saudades Nos Chorem”, opera uma trança de dois fios, ao menos, em seu interior. Em primeiro plano, Nardeli estabelece o movimento de liberação do peso da despedida. Por mais que se estabeleça no texto uma investigação sobre o fim da vida, ela não se encarrega de degenerar as esperanças, de enfraquecer as limitações mortais do humano, mas justamente nela, na nossa limitação que a cada dia o tempo expõe mais e mais, que a vida se afirma. Ter vindo nascer para crescer põe sob a ordem do dia a fortificação da experiência mesma da vida, em seu doce e em seu amargo.

Em segundo plano, por conta do movimento que estabelece de uma forma mais nítida em uma primeira leitura, o Poeta integra a sua existência as demais pessoas e à natureza, equilibrando a sua ação sem remorsos ao olho no olho e ao ter florido sua vida em estação própria. A inversão que provoca no final, na linha que dá título ao poema, empurra a negação da vida para fora de qualquer contato ou significação produzida; os seus versos, que em legado continuarão conosco e com os próximos que virão, se integram ao nosso espírito como um amuleto para se atravessar a noite escura e o vale morte, nos advertem a colorir o contorno que demos às nossas histórias, quaisquer que sejam, sem lamentos e no mais – que as saudades nos chorem.

Quanto aos outros poetas que participaram da nossa antologia, somos muito gratos pela diversidade que pudemos contar neste trabalho. De poemas de amor, tratamentos poéticos para as dores, o despertar de novas trilhas, até mesmo a acolhida confortável de um café à beira de um sonhar acordado, esses trabalhos mostram a diversidade da poesia no Brasil, o melhor que temos em arte, em cultivo das palavras. A aventura séria e comprometida que nos foi organizar essa seleção dourada, esperamos, também irá reluzir para cada autor que terá contato com os trabalhos aqui presentes. Também desejamos que a nossa modesta contribuição para a poesia no atual cenário favoreça o contato entre os diversos autores, cujas redes sociais, em sua maioria, estão disponíveis. Acreditamos no diálogo e na arte como insight de qualquer melhoria das nossas vidas pessoal e coletivamente falando.

 

segundo colocado

 

as saudades nos chorem

 

Não mais o mesmo sol do amanhecer

Não folhas, mas passarelas

 

Hoje morri de saudade

Amanhã, ela morrerá por mim

 

Não há mais tempo ao destempo

Ainda há lápis

Pra colorir

 

A areia desce a ampulheta

Grão a grão

Contando, métricos, o poema da existência!

 

Daqui não levarei títulos, fama, prêmios

O só tostão!

Só o vento

Meus olores em estrofes regadas na paixão!

 

(No verso a lua revela, crescente, ao bardo, a missão!)

 

Não só sementes despertam equinócios

Também flori

Como ipês em meus solstícios!

 

(Primaveras, despertastes a Estrela da Manhã!)

 

Pra cada segundo, célula e átomo:

Estou sem tempo para as mesmas cores!

 

A trama se esvai

E eu vim nascer pra crescer!

De mim?!

Só restará o legado das rimas!

 

(Até que o vento as remova e as ondas rebentem!)

 

Fixa teus olhos nos meus:

Toma este vidro de espelho estoico

E sente a rima

Da tua imagem em versos consoladores –

 

Que ora me nascem, me crescem, me poetizam

Porque nascemos pra ‘crescer! –

 

E pra fazer com que as saudades nos chorem

LUKA KALU

@cleber_leandro_nardeli

 

 

 

Análises e resenhas

O caso Couto, por @amorpelaleitura29

Postagem original no perfil @amorpelaleitura29

Será que conseguiríamos agir racionalmente e de acordo com os nossos princípios diante de situações críticas que possam mudar a nossa vida?

💔A Sra. Couto desconfia que seu esposo tem um caso e com o apoio de Lourdes, sua empregada, ela decide sondá-lo para confirmar as suas suspeitas.

💔Ao se deparar com uma cena que corrobora com essa intuição, ela se vê diante de um grande dilema: fazer de tudo para salvar o seu casamento, ou colocar o seu bem estar acima de tudo e de todos.

💔De um lado temos a Sra. Couto, cujo rancor é alimentado pela infidelidade e pelo sentimento de rejeição. De outro temos Lourdes, que faz de tudo para que a patroa tome uma atitude definitiva e entenda que pode viver sem o marido, sendo muitas vezes incisiva demais. Por fim, temos o Dr. Hermínio, médico da família, que entra em cena para ajudar a Sra. Couto a resolver o seu “problema”.

💔Amor, rancor, medo, traição, manipulação, arrependimento e dilemas morais permeiam a história do início ao fim. Além disso, o autor nos presenteia com um plot inesperado.

💬Tive a honra de ser convidada a ler o livro antes do lançamento e foi uma grata surpresa. A narrativa é extremamente fluida e impactante. Não dá vontade de largar até terminar.

🧡Mais um livro nacional maravilhoso. Indico demais!

🧡O lançamento oficial foi em 24/8/2024, na 27ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes. Sucesso, @htavares95!

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mural da trevo

Leia grátis: Revista de Poesia n12

POETAS DESTA EDIÇÃO

seja um autor
antologias da editora

6 Ando
José Marcos Ramos
7 Myosotis
Mariane Capella
9 Sonhos
Maria Dorothea Barone Franco
10 Aquelas que me inspiram
Fernanda Rossin
12 “2”
Carol Demoliner
14 Inverna
Carolina Pazos Pereira
15 Papel de pastilha
Benício Mackson Duarte Araújo
16 Sentença
Isaac Nicholas Fonseca de Oliveira
18 Nefelibata
Helio Valim
19 Santo
Cláudia Pereira Santos Castro

[editor]
Well Souza
@wellsouza.art

A poesia no Brasil hoje reúne cenas bastante diversificadas e dinâmicas, com uma ampla gama de estilos e tendências.