Por dentro dos livros

Oásis da Alma: quando a poesia floresce no deserto da vida

Adecir das Chagas Gomes | Editora Trevo | 1ª edição, 2025 | 82 páginas


Há livros que chegam às mãos do leitor como uma brisa inesperada no meio de uma tarde quente. Oásis da Alma, de Adecir das Chagas Gomes, é exatamente isso: um refresco para a alma cansada, um convite à pausa e à contemplação num mundo que raramente para de correr.

O poeta alagoano — nascido em Pão de Açúcar, formado em Filosofia e Teologia, já presença consolidada em mais de cinquenta antologias nacionais e internacionais — entrega nesta obra sua voz mais madura e mais íntima. E ela chega com força.


A travessia que todos conhecemos

O livro está dividido em oito capítulos que formam, juntos, uma jornada quase iniciática: da dor social e existencial ao amor místico, da beleza como louvor até o grande retorno ao lar. Adecir não evita o peso da vida — ele o atravessa com os olhos abertos.

Já nas primeiras páginas, em Peles Negras, o poeta denuncia sem recuar:

“Peles negras importam, Branquitude abra a porta; Respire e devolva-lhes a cota, Não queiram ver essas peles mortas.”

É poesia com pulso. Firme, sem ornamentos supérfluos. O mesmo rigor aparece em Exclusão, onde vidas descartadas ganham dignidade nos versos, e em Vozes no Meio da Lama, onde o poeta escuta quem o mundo prefere ignorar.


O deserto como espaço sagrado

O grande mérito da obra está em transformar o deserto — símbolo da escassez, da dor, do silêncio forçado — em lugar de florescimento interior. Não é escapismo: é espiritualidade encarnada.

Em Mergulho Interior, um dos poemas mais tocantes do livro, Adecir desce às próprias profundezas sem medo:

“A casa que somente eu tenho a chave, Em seus compartimentos somente eu varro; Severamente reorganizando o meu ambiente, Encontro no meu interior o velho barro.”

Quem já enfrentou uma crise existencial vai reconhecer esse território. E vai também encontrar, nos versos seguintes, o calor que não esperava:

“No interior da minha alma, Acende-se uma chama em brasa; Aquecendo todo o corpo do frio, Protegendo-me das correntezas do rio.”


Amor que não cabe em definição

O capítulo O Místico Inefável Amor é, talvez, o coração pulsante de todo o livro. No extenso poema Amor Místico, Adecir elabora uma meditação poética sobre o amor divino através de perguntas que se repetem e se aprofundam como ondas:

“Que amor é esse? Belo enquanto o Oásis; Leve como a pluma, E voa igual a águia, No corpo da sabedoria.”

É linguagem contemplativa que remete à grande tradição da poesia mística brasileira — mas com imagens próprias, nascidas do sertão e da fé popular que formaram o poeta.


O viandante que todos somos

O ponto culminante do livro é o longo poema O Viandante, que ocupa inteiro o capítulo final. Em sessenta estrofes numeradas, Adecir narra a jornada de um filho que parte, se perde, e retorna — numa releitura poética e nordestina da parábola do filho pródigo.

A linguagem aqui é mais simples, quase narrativa, e isso é uma escolha acertada: o poema precisa respirar como uma história. O leitor acompanha cada tropeço do viandante, cada memória da casa paterna, até o momento da volta — que chega com toda a força emocional que merece:

“Vi o pai esperando na porteira, Tão encantado com a minha volta; Num soluço alegre de festa, Espalhando lágrimas na soleira.”

É impossível não se mover com esses versos. Adecir escreve do lugar de quem já sentiu esse abraço — ou de quem ainda o espera.


Para quem é este livro?

Oásis da Alma é para quem atravessa desertos e precisa de água. Para quem busca beleza sem fugir da realidade. Para quem encontra em Deus não uma resposta fácil, mas uma presença que sustenta no meio da luta.

É também — e especialmente — um livro para ser lido em voz alta. A musicalidade dos versos de Adecir das Chagas Gomes pede isso: que a poesia ressoe além da página e alcance o que as palavras escritas, sozinhas, às vezes não conseguem tocar.


Adquira Oásis da Alma pela Editora Trevo e leve para casa uma obra que vai permanecer com você.

📚 Disponível em: editoratrevo.com.br

ISBN: 978-65-5851-118-2


Editora Trevo | São Paulo, SP

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