“A vida é uma ópera, e uma grande ópera… Deus é o poeta e a música é de Satanás…”. Lembro-me desta frase escrita por Machado de Assis, em Dom Casmurro, quando li este livro na minha juventude e ficava me perguntando: Porque a música era de Satanás? Muitas vezes associamos sons a imagens, a cores, a histórias, a pinturas e outras coisas mais. Temos como exemplo a história do trítono, intervalo constituído por três tons que, por muito tempo entre os primeiros séculos a partir dos anos 1.100 d.c., era chamado de “diabo em música”, por causar uma sensação de angústia, aflição e instabilidade. Um dos registros mais antigos do trítono é de uma composição de uma freira, Santa Hildegarda de Bingen, na sua música Ordo Virtutum, composta por volta de 1151. O intervalo de três tons aparece excepcionalmente nas partes relacionadas ao Diabo, pois é um texto falando sobre a redenção da alma contra ele. Alguns exemplos em que este intervalo se mostra, associado ao terror seriam a Sonata Dante, de Lizst, obra relacionada ao livro A Divina Comédia de Dante Alighieri e Dança Macabra de Saint-Saëns, ambas as músicas o trítono se mostra no início.
Trecho do prefácio de Francis Vilela
Sobre o autor
Igor Becati é autor de romances de formação e contista. Seu primeiro livro, Fardo de Narrador, continha inclinações musicais, com os contos Um Sonho em Bbm, uma alusão à sonata de Chopin, conhecida por Marcha Fúnebre, e uma Sinfonia Calada, em que instrumentos musicais são os personagens da história – uma quase fábula. Contos Sinfônicos é uma demonstração de amor do autor à música, que o acolheu, e à literatura, que propiciou-lhe mundos, antes, desconhecidos.














Avaliações
Não há avaliações ainda.